|
|
Geologia
As ilhas dos Açores
emergem da designada Plataforma dos Açores, uma região de morfologia
muito acidentada com cerca de 5.8 milhões de km2, limitada pela
curva batimétrica dos 2.000 metros.
Sob o ponto de vista geoestrutural os Açores localizam-se na zona de
junção tripla correspondente ao contacto das placas litosféricas
Norte - Americana, Eurasiática e Africana (Núbia), condição que se
traduz na existência de importantes sistemas de fracturas nesta
região do Atlântico Norte.
As ilhas do Grupo Ocidental localizam-se em plena Placa Americana,
enquanto que as ilhas dos Grupos Central e Oriental estão edificadas
numa larga faixa que se admite corresponder à fronteira das placas
Eurásiatica e Núbia.
As principais estruturas tectónicas existentes na Região dos Açores
são a Crista Média Atlântica (CMA), o Rift da Terceira (RT), a Zona
de Fractura Este dos Açores (ZFEA) e a Falha Glória (FG).
A Crista Média Atlântica materializa a fronteira entre a placa
Americana a oeste e as placas Eurasiática e Núbia a leste, cruzando
a Plataforma dos Açores a meia distância entre as ilhas do Faial e
das Flores. Esta estrutura apresenta a direcção aproximada N-S, a
norte dos Açores, e inflecte para SW na região do arquipélago.
Trata-se de uma estrutura distensiva pura, afectada por diversas
falhas transformantes de direcção geral E-W que apresentam movimento
direito a norte dos Açores e esquerdo a sul. É muito activa do ponto
de vista sísmico e vulcânico.
O Rift da Terceira é constituído por um complexo sistema de
fracturas que se estende entre as proximidades da Crista Média
Atlântica até à Falha Glória e estabelece, actualmente, a fronteira
entre as placas Eurasiática e Núbia. É definido pelo alinhamento, de
direcção geral NW-SE, de bacias en échelon separadas por ilhas e
cristas submarinas, que se desenvolvem por cerca de 550 km, desde a
Bacia Oeste da Graciosa até à Fossa das Formigas, incluindo as ilhas
Graciosa, Terceira e S. Miguel. No seu limite NW o Rift da Terceira
contacta com a Zona de Fractura Norte dos Açores (ZFNA), uma falha
transformante de direcção E-W que corta a Crita Média Atlântica,
enquanto a SE intersecta a Falha Glória a sueste da ilha de Santa
Maria, fazendo um ângulo de aproximadamente 45º.
A Zona de Fractura Este dos Açores, com uma orientação geral E-W,
desenvolve-se a sul do arquipélago dos Açores desde a Crista Média
Atlântica até próximo da ilha de Santa Maria. Esta estrutura
constituiu no passado a fronteira entre as placas Eurasiática e
Núbia, sendo considerada actualmente inactiva após a migração para
Norte da fronteira de placas.
A Falha Glória, de orientação geral E-W, corresponde ao segmento da
Falha Açores-Gibraltar que se estende desde leste da ilha de Santa
Maria, até cerca de 800 km para oeste. É uma estrutura linear,
batimetricamente bem definida, e sismicamente activa, com movimento
do tipo desligamento direito puro.
O segmento mais oriental da Zona de Fractura Açores-Gibraltar tem
comportamento de falha inversa, na sequência da compressão N-S que
resulta do movimento no sentido directo da placa Núbia relativamente
à placa Eurasiática.
Não obstante a multiplicidade de trabalhos realizados até à data,
persistem inúmeras dúvidas quanto à localização exacta do ponto
triplo dos Açores, eventualmente localizado a W da ilha do Faial, e
à definição, natureza e comportamento da faixa que marca a fronteira
entre as placas Africana e Núbia.
Voltar
|
|