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População
Contrariando a
tendência verificada nos decénios anteriores, a evolução demográfica
da última década caracterizou-se pelo crescimento moderado da
população residente, aumentando cerca de 1,7%, passando de 237 795
em 1991 para 241 763 habitantes em 2001, segundo os dados
definitivos do censo de 2001.
Porém, o acréscimo de população não está distribuído de forma
equilibrada pelas diferentes ilhas, havendo variações negativas
expressivas nas ilhas Graciosa, Flores e Santa Maria, denotando uma
tendência de concentração da população nas ilhas onde se localizam
as principais funções administrativas e económicas. O crescimento
demográfico que se tem verificado nos últimos anos poderá ser
explicado, em grande medida, pelos fluxos migratórios, que têm
registado valores positivos, por via do decréscimo acentuado da
emigração e do aumento da imigração, dado que o saldo natural tem
vindo a declinar.
O crescimento concentrou-se essencialmente na ilha de São Miguel. O
crescimento no Faial é meramente conjuntural e resulta da deslocação
de trabalhadores da construção civil resultante das obras de
reconstrução do sismo de 9 de Julho de 1998. Qualquer que seja o
cenário considerado, estima-se que a população dos Açores continuará
a crescer lentamente nos próximos anos.
Em termos da evolução da estrutura da população por grandes grupos
etários, e com base nos últimos recenseamentos e nas projecções
existentes, observa-se que o crescimento demográfico tende a
concentrar-se no grupo correspondente à população potencialmente
activa (15-64 anos), por contrapartida do grupo etário relativo aos
jovens, mantendo-se praticamente inalterado o peso relativo dos
idosos no contexto da população residente nos Açores.
A tendência na próxima década é para se acentuar o envelhecimento da
população residente, em virtude, sobretudo, da diminuição do peso
relativo dos jovens resultante do efeito conjugado da diminuição das
taxas de natalidade/fecundidade e do aumento da esperança de vida.
Com efeito, através da análise comparada de alguns indicadores
demográficos, verifica-se que a evolução destes indicadores tem sido
decrescente nos últimos anos. A taxa de mortalidade geral mantém-se
praticamente constante, com o valor anual na vizinhança dos 11
óbitos por mil habitantes. No que se refere à mortalidade infantil,
nos Açores continua a verificar-se uma tendência decrescente tendo
atingido os 2.9 por mil nascimentos em 2003. Relativamente ao número
de casamentos verificados em 2003, constata-se que se verificou um
aumento do número de casamentos, contrariando a tendência
decrescente dos anos anteriores.
Em termos finais, as projecções demográficas apontam para uma
estabilização ou decréscimo populacional, associados a um continuado
envelhecimento das estruturas demográficas, resultante da diminuição
das taxas de fecundidade/natalidade e do aumento da esperança de
vida. Esta tendência tem vindo a ser atenuada pela inversão do
comportamento migratório, que, desde meados dos anos noventa, tem
registado valores positivos associado, sobretudo, a um aumento da
imigração. A Região Autónoma dos Açores poderá ser uma das regiões
que mais beneficiará com a entrada de estrangeiros, desde que os
níveis médios de fecundidade apresentados sejam mantidos,
contrariando a acentuada tendência de decréscimo de residentes.
Estas alterações na dinâmica demográfica levantam sérias questões e
desafios a nível económico e social, já que a sociedade será cada
vez mais diversificada e envelhecida o que, não só compromete as
gerações futuras, como provoca alterações nos hábitos de consumo,
nas relações sociais e na economia. O aumento da população activa
exercerá pressões no mercado de trabalho, no sentido de se criarem
mais postos de trabalho, e provocará uma distribuição desigual da
população entre os centros urbanos e o meio rural. O aumento da
imigração também acentuará a pressão sobre o mercado de trabalho,
daí que seja fundamental o seguimento de políticas de formação e
requalificação profissional dos activos.
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